domingo, 7 de agosto de 2011

1.2. ATIVIDADES LÚDICAS

As atividades das crianças são essencialmente lúdicas e têm como função primordial a descoberta do mundo que rodeia, promovendo o seu desenvolvimento.
O cavalo e seu ambiente podem constituir um contexto lúdico para as crianças na medida em que é formado o vínculo afetivo e há motivação na realização dessa atividade, podendo ser uma oportunidade de descobertas por meio de atividades diretas.
O ambiente em que o cavalo vive de um modo geral é bem diferente do habitual de uma clínica de reabilitação, podendo ser constituídos por árvores com frutos e flores, animais, insetos, lagos, pontes e campos, compondo um cenário harmônico e interessante, que pode constituir em um objeto lúdico que leva a criança para um mundo de magia e sonho.
Considerando o interesse por coisas novas, o ambiente do cavalo é muito propício para essas atividades, como o passeio às baias (casa do cavalo), à "floresta", ao lago, ao campo, constituindo-se em um movimento muito divertido.
O contato com o cavalo também é uma oportunidade para a criança brincar diretamente com a crina do animal, colocando prendedores, fitas, ligas, passando gel, spray de tinta.
As atividades lúdicas também podem ser realizadas em grupo, como jogar bola, jogar bola no cesto, colocar argolas nos cones, contar histórias, cantar, dançar, favorecendo a socialização.
Inúmeras denominações são usadas na Europa. Na França é referida como equoterapie e equitation thérapeutique, na Inglaterra e nos países de língua inglesa ou de grande influência inglesa, usa-se o termo equitação para deficientes, e na Itália, terapia por meio do cavalo.
No Brasil, o termo utilizado é equoterapia, e tem crescido nos centros urbanos e rurais, sendo suas atividades mais comumente realizadas em centros ; a atuação no âmbito hospitalar ainda é rara.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Página 18. Continuação TCC!!!

Uma série de materiais adaptados é sugerida para uso na equoterapia, como a manta-gel, que tem como função proporcionar instabilidade e aumento do estímulo sensitivo, devido à sua espessura fina. A cilha alta com dois estribos ofecere apoio, estabilidade e segurança ao praticante e ao terapeuta e, também diversificação de posicionamentos. A rédea adaptada tem como função a condução do cavalo para praticantes com dificuldades de preensão.
As atividades realizadas no contexto equoterápico devem ser planejadas simples com poucas etapas e adequadas às necessidades dos praticantes. É importante também que os materiais estejam dispostos facilmente para permitir melhor adequação do grupo e dos profissionais à atividade proposta.
O material mais adequado é o plástico e seus derivados, pois oferecem boa resistência e são facilmente laváveis. O ideal é que sejam objetos leves, para facilitar o manuseio e não oferecer risco de machucar a criança, o terapeuta e o cavalo.
Objetos muito pequenos que exijam uma habilidade muito refinada do praticante devem ser evitados, pois a instabilidade da postura proporcionada pelo movimento do cavalo mesmo quando ele está parado torna o manuseio difícil. Os objetos de tamanho médio, desde que tenham uma área para preensão, também podem ser utilizados,pois permitem atividades motoras amplas.
Atividades que exijam uma base de apoio estável para serem realizadas, como, por exemplo, massa de modelar, pintura, colagem, não são indicadas nesse contexto, pois a base móvel do cavalo não oferece estrutura para sua realização.
Materiais que fazem barulho (dependendo do tipo) podem assustar o cavalo. O equitador e o terapeuta ocupacional devem solucionar os materiais mais adequados para serem utilizados nesse contexto.
Todo material utilizado durante a sessão de equoterapia deve ser apresentado ao cavalo através do contexto com sua pele ou colocado próximo às suas narinas, para que ele possa cheirar e fazer o seu reconhecimento, evitando assim que se assuste ou considere a aproximação do objeto uma situação de perigo. Trombly (2007).

domingo, 31 de julho de 2011

Continuação 1.1

O contexto equoterápico é motivador, desafiador para o indivíduo desenvolver suas habilidades de modo harmonioso. Trombly (2007, p.3) ressalta um dos princípios do modelo ocupacional funcional (MOF): "as pessoas esforçam-se para alcançar sentimentos de satisfação, definidos como sentimentos de eficiência pessoal e auto-estima".
Assim, como um contexto instigante e considerado que o individuo apresenta motivação intrínseca para alcançar sentimentos de satisfação, há uma grande possibilidade para desenvolvimento de diversas habilidades.
As atividades são tarefas com objetivos definidos que exigem habilidades e recursos para atender às necessidades pessoais e sociais. É importante compreender o máximo possível uma atividade, incluindo as habilidades específicas necessárias para realizá-la de forma competente e sua relação no mundo geral.
A graduação da atividade refere-se ao aumento ou diminuição sequencial das etapas de uma atividade com o passar do tempo, tendo como objetivo estimular a melhora da função. A graduação também poderá ser realizada em função do material, partindo de um grau menor de dificuldade para um maior em relação à prensão por exemplo.
Na equoterapia, a graduação das atividades cotidianas do cavalo e dos materiais é adequada, pois é um processo gradativo que favorece um progresso para a aquisição da função. O praticante adquire a capacidade de cuidar do animal de grande porte, favorecendo a sua indepêndencia e auto- estima.
A adaptação das atividades é o processo de modificá-las para torná-las mais fáceis fisicamente, cognitivamente ou sob outros aspectos e promover a função. A adaptação dos materiais utilizados as atividades periódicas do cavalo (escova, rasqueadeira, pente para crina) é apenas sugerida para situações em que realmente o praticante apresenta muita dificuldade para realizar um determinada tarefa. É importante que essas adaptações permitam a funcionalidade, mas também que não diferenciem tanto esses materiais utilizados no cotidiano do cavalo.
Na equoterapia, é fundamental também a adaptação dos arreios ( manta, sela, alça, rédeas e estribo), para proporcionar a melhor postura possível da criança no dorso do cavalo ou para ser trabalhado um objetivo específico.

1.1 A Terapia Ocupacional No Contexto Equoterápico

Em 1890, Gustavo Zander, fisiatra e mecanoterapeuta sueco, quantificou as vibrações necessárias,180 oscilações por minuto, para estimular o sistema nervoso simpático, o que 100 anos depois foi associado às vibrações produzidas sobre o dorso do cavalo pelo médico alemão Detlevev Rieder, (Uzun, Ana Luisa de Lara APUD DEUSCHES KURATORIUM, 1998, p.6).

Durante as sessões de equoterapia , são realizadas pelo terapeuta ocupacional atividades programadas de acordo com os objetivos determinado no plano de tratamento de cada praticante.
Os materias e as atividades utilizadas nesse contexto, se necessário, após selecionados, são graduados e/ou adaptados para adequar-se ao máximo às necessidades do praticante ao contexto. Criam-se condições específicas para atuação do indivíduo como ser ativo que é.
É importante destacar que a seleção, a graduação e adaptação das atividades são aspectos essenciais na prática da terapia ocupacional. Contudo para essa intervenção, é fundamental que o terapeuta realize a análise das atividades e compreenda os componentes de desempenho necessários para realizá-los e os significados culturais tipicamente atribuídos a elas.
A terapia ocupacional tem a premissa de que o indivíduo é um ser ativo, que desenvolve influenciado por atividades com objetivos específicos.
Montar a cavalo e andar ao passo já constituem uma atividade que demanda o desenvolvimento de habilidades e requer do praticante o exercício de sua natureza ativa.É uma nova competência que pode gerar satisfação e prazer.
O praticante poderá também desenvolver habilidades específicas mais refinadas e responder até à demanda de dominar um animal, desenvolvendo uma nova competência que fortalecerá a sua auto-estima. Assim, estará participando de uma ocupação prazerosa, que promove a realização pessoal, desempenhando o papel de esportista.
Uma vez que os papéis são padrões de comportamento, são, portanto, socialmente esperados associados ao status individual numa sociedade em particular.
Na equoterapia, o praticante desempenha o papel de esportista e realiza uma série de tarefas: andar ao passo, trotar, galopar, saltar, para realizá-las, necessita desenvolver habilidades específicas. Trombly (2007).

sábado, 30 de julho de 2011

O Terapeuta Ocupacional, o sujeito e a Equoterapia: traçando seu caminho histórico

Cabe ao terapeuta ocupacional considerar os diversos fatores e organizar atividades específicas dentro do contexto buscando facilitar ao praticante o melhor desempenho de suas funções. Pode usar adaptações para melhorar a postura a ser trabalhada.
Desde a antiguidade, na Grécia relatos de nomes importantes na história da medicina como Hipócrates e Asclepídes faziam referências ao uso do cavalo para promover o bem - estar, melhorar e prevenir diversas doenças. Nessa época, considerava-se o movimento do cavalo bom para o indivíduo, fisicamente e mentalmente. Hipócrates destaca a melhora do tônus muscular como uma importante função da equitação.
Estudiosos da Europa continuam por anos dando desenvolvimento ao pensamento da cultura grega, e em 1747 Samuel Quelmaz, um médico alemão, fez referências ao movimento tridimensional do cavalo e criou uma forma artificial de reproduzir o seu movimento.
Em 1782 Joseph Tissot estudou o efeito das diferentes formas de andar do cavalo, confirmando os seus efeitos positivos e identificando o passo como o de maior função terapêutica. Foi também o primeiro a falar sobre as contra- indicações da prática exessiva da equitação.

Continuação TCC!!!

Segundo Walter e Vendramini (2000), a equoterapia emprega as técnicas de equitação e atividades equestres para proporcionar ao praticante benefícios físicos, psicológicos, educacionais e sociais. Essa atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim para o desenvolvimento do tônus e da força muscular, o relaxamento, a conscientização do próprio corpo, o equilíbrio, aperfeiçoamento da coordenação motora, a atenção, a auto confiança e a auto-estima. Assim, a equoterapia é um método de reabilitação e educação  que trabalha o praticante de forma global.
A palavra equoterapia foi criada no Brasil para caracterizar todas as práticas que utilizam o cavalo com técnicas de equitação e atividades equestres para fins terapêuticos. Foi criada com as seguintes intenções  ( Ande - Brasil, 1999):
1 - Homenagem a nossa língua mãe - o latim - adotando o radical EQUO que vem de EQUUS - o único gênero da família dos equídeos, que inclui os cavalos, os jumentos e as zebras ( Ferreira, 1990).
O cavalo pertence à ordem dos perissodátilos da família dos Equídeos, da subfamília Equina, na qual se encerra o único representante atual do gênero Equus que é a espécie cabalus - o cavalo propriamente dito como é atualmente.

2- Homenagear o pai da medicina ocidental - Hipócrates - (377 -458 a.c) - que aconselha a prática da equitação para regenerar a saúde, preservar o corpo humano de muitas doenças e no tratamento de insônia, mencionando, também que a prática equestre ao ar livre, faz com que os cavaleiros melhorem seu tônus.
Terapia, que vem do grego therapeia, é a parte da medicina que trata da aplicação do conhecimento técnico científico no campo da reabilitação e reeducação.
3 - Quem utilizasse a palavra equoterapia estaria engajado nos princípios e nas normas fundamentais que norteiam esta prática no Brasil, o que facilitaria o reconhecimento do método pelos órgãos competentes.

Conteúdo TCC!!!



Praticante de equoterapia é o termo utilizado designar os Praticantes Portadores de Necessidades Especiais (PPD) e/ou Necessidades Especial, quando em atividades equoterápicas.

Nessa atividade, o sujeito do processo participa de sua reabilitação, na medida em que interage com o cavalo.

Toda atividade de equoterapia deve ser baseada em fundamentos técnicos-científicos. O atendimento só poderá ser iniciado mediante a parecer favorável do médico, do fisioterapeuta, do terapeuta- ocupacional e do psicólogo.

As atividades devem ser desenvolvidas pela equipe interdisciplinar, sendo que as sessões podem ser individuais ou em grupo. As seguintes regras, ademais, devem ser observadas: deve haver registros periódicos das sessões; ética profissional e preservação da imagem devem ser constantemente observadas; deve constar o componente filantrópico para atingir classes sociais menos favorecidas; a segurança física do praticante deve ser preocupação constante (comportamento habituais do cavalo, equipamento de montaria, vestimenta do cavaleiro, local das sessões.

Para termos um bom resultado dentro da equoterapia é necessário que três elementos estejam interligados, visando única e exclusivamente à evolução e ao desenvolvimento dos praticantes. São eles: (a ou o) Terapeuta especializado - É importante que este, além dos conhecimentos técnicos e cientifico nas respectivas áreas de atuação (saúde e educação), também tenha conhecimentos hípicos de manejo e domínio sobre o cavalo; e (b) Local adequado - o ideal é que este seja amplo, em contato com a natureza e que recebermos PPD. Deve possuir pistas abertas e fechadas, com piso de areia com aproximadamente 8cm de profundidade. Outros tipos de terrenos como grama, terrenos em aclives ou declives, redondel também são importantes dependendo do objetivo traçado. (c) O equilíbrio sabe-se que envolve um conjunto de sistemas como o visual ( em conjuntos com outros sentidos), o locomotor, o proprioceptivo, o cerebelar, o auditivo, o córtex cerebral, a formação reticular, os núcleos da base e o sistema vestibular, pois muitos autores se referem a ele como sendo órgão do equilíbrio.